carta de Cibele

3 setembro, 2010

ontem encontrei meu sorriso no susto, em uma brincadeira de criança praticada por adultos. eu tinha que manter o equilíbrio mudando a posição dos pés e das mãos em diferentes círculos coloridos. o curioso é que a risada acontecia exatamente quando eu caia, quando já não aguentava permanecer do jeito que eu precisava estar. talvez você ache isso uma grande besteira, mas aquela felicidade foi real, ainda que efêmera. não quero te passar lição nenhuma com isso, não combina comigo. só que ontem foi essa queda que me trouxe liberdade. uma queda livre de qualquer intenção sistemática e racional. eu tenho saudades dos nossos encontros, meu querido. de preparar sua dose, acender seu cigarro no meu, andar nua pela casa enquanto você me desenha, de ouvir suas histórias, até mesmo aquelas que você vive com a Lu e com seu filho. mas minha vida anda acontecendo sem que eu esteja presente nela e eu preciso voltar. você sabe que somos dois perdidos. o que você não sabe é que eu não tenho um caminho. nem de ida, tão pouco de volta.

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carta de Cibele

22 julho, 2010

perdoe minha lágrima, querido.
um dia perdi meu sorriso e só encontrei meu choro.

carta de Cibele

19 maio, 2010

eu tinha esquecido dele, eu tinha esquecido do Mário. ele surgiu no meio do caminho, no meio da nossa história, da minha e da sua. não adianta chegar com piada pronta, porque ele não me pegou atrás do armário, ele me fudeu. e enquanto você ligava e eu não atendia, lá estava ele me fudendo na mesma cama que você deita comigo.

a diferença é que quando ele me come eu fico mais vazia.

Cibele, 7h05, São Paulo.

acordei com dor de cabeça, com a cama vazia. acordei com sono, sem vontade. acordei sem você, mais uma vez. essa cena repetida já me incomodou muito mais. hoje não sei dizer se aprendi a lidar com isso ou me acostumei simplesmente. acordei, mas o melhor seria continuar dormindo.