carta de Lourenço

24 fevereiro, 2011

o tempo passou. enquanto isso acontecia eu estava de mão dada com a minha insanidade inventada, com o meu copo vazio, com o exagero da noite e a falta do dia. impossível segurar o agora, ele já foi. não tenho notícias do mundo porque no meu quarto não tem janelas. eu não vejo o céu, eu não vejo qualquer nuvem atravessando o horizonte. há um enorme espelho aqui na minha frente, dizendo pra mim: e agora? eu não gosto do que eu vejo. eu não sei mais qual é o seu endereço e o caminho de volta pra casa agora é outro. alguns amigos me dizem que eu deveria entender, de uma vez por todas, que é preciso assumir o que se quer. o que se tem. você entende isso? eu nunca entendi. todo esse tempo eu fugi daquele reflexo ali no meu quarto. eu sempre tive muito medo de olhar nos meus olhos e perceber que, na verdade, é tudo vazio. eu sou todo vazio. encontrei um outro sentido pros meus traços, mas o meu verbo anda tímido. a minha poesia te procura, inutilmente. o tempo passou e quando eu olho tudo aquilo que já não é meu peito ainda dói. mas um dia há de deixar de doer.

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