carta de Lourenço

14 dezembro, 2010

há dias não desenho. nada. nem rabiscos, nem rascunhos. há dias arrisco verbos estranhos, pausas dramáticas. na tentativa de desconstruir nossa história percebi que não posso desfazer o que já está feito. o seu corpo nu andando de um lado para outro na sala, seu canto desafinado e empolgado com todas aquelas músicas estranhas que você gosta, as doses erradas de whisky, as doses certas de sexo, o meu sorriso pelo seu sorriso, as suas piadas atrapalhadas, os meus gritos, o seu desespero. tudo isso já aconteceu, repetidas vezes. ainda tem um último cigarro da marca que você gosta aqui em casa. você tinha deixado um maço inteiro e algumas noites, depois que alguma puta ía embora, eu fumava um antes de dormir. o gosto que ficava na minha boca era como o seu beijo de boa noite. meu analista está preocupado, achando que vou mandar tudo a merda e me jogar na 23 de maio. minha esposa está tendo um caso com o colega de trabalho, porque ele fode ela enquanto ela não me fode. meu filho é viado e não sabe. não deveria ser um problema, mas me incomoda. sinto falta de te contar todas essas coisas, bobagens e importâncias. sinto nossa falta, você em mim, nós.

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2 Responses to “carta de Lourenço”

  1. Rafaela Says:

    Essa falta é quando a gente se dá conta do quanto precisa do outro.

  2. bibiana Says:

    é foda quando as doses são certeiras.


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