carta de Lourenço

19 novembro, 2010

se você ao menos olhasse pra trás, enquanto dança, perceberia minha presença no escuro. a saudades foi tanta que me escondi naquela sombra, observando de longe cada gesto seu. a minha loucura aguda está cada vez mais ébria. não há um só dia que meu sangue esteja quieto. meu corpo resiste bravamente a cada gota de álcool. e são muitas. em cada dose me aproximo mais de quem eu sou, mas me afasto do que esperavam de mim. cenas repetidas com cores diferentes. não é o cinza que me machuca, é o vermelho que me dói. o óbvio é recorrente. talvez eu deva desconstruir o que vejo e te transformar em um monstro das cavernas. é certo que serás um monstro que dança, que me atravessa, mas não mais serás aquela que eu observo. um lapso estúpido resolvido com um medo instintivo. e para cada traço meu rabiscado em diversos guardanapos, um gosto podre na boca me enjoa. se alguém me perguntar o porque disso tudo, direi que sou só mais um desiludido, calado, minguando todas as noites. eu ainda posso aprender uma última lição com você: olhar pra frente.

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