desonra
8 Outubro, 2008
David Lurie, professor acadêmico, 52 anos, divorciado 2 vezes, sul africano.
Lucy Lurie, quase camponesa, filha do primeiro casamento de David, mãe holandesa.
(trecho* de um diálogo entre os dois. estão na cozinha, tomando chá, na casa de Lucy)
- Podia ter me contado antes. Porque escondeu isso de mim?
- Porque não quero encarar uma das suas explosões. David, não posso levar a minha vida pensando se você vai gostar ou não do que eu faço. Não mais. Você age como se tudo que eu faço fosse parte da história da sua vida. Você é o personagem principal, eu sou um personagem secundário que só aparece na metade. Bom, ao contrário do que você acha, as pessoas não se dividem em principais e secundárias. Eu não sou secundária. Tenho uma vida minha, tão importante para mim quanto a sua para você, e na minha vida sou eu que tomo as decisões.
*extraído do livro Desonra, de J.M. Coetzee, 2ª edição, Cia das Letras.

8 Outubro, 2008 at 1:07 pm
Sabe aquela música primeiro segundo? É isso.
9 Outubro, 2008 at 1:02 pm
é bem assim:
“não quero chegar aos 50 anos e me lembrar que minha vida foi um apêndice da sua.”
9 Outubro, 2008 at 6:31 pm
dani – quando o primeiro não, quando o segundo só, na ilusão. fica…
é linda, é isso.
aliceloide – passar uma vida inteira sendo o apêndice, o anexo, a errata. a escolha é sua, sempre. mesmo que você renuncie.
9 Outubro, 2008 at 7:01 pm
viver na sombra de alguém não dá mesmo.
10 Outubro, 2008 at 12:51 pm
rafa – mas e se você escolhe isso? mesmo assim, incomoda? pra quem? pra você ou pro resto do mundo? será que a gente realmente aperta o botão do foda-se pro que os outros pensam? se sim, então não deve soar “ruim” saber ou ouvir que no fim das contas você foi a sombra, você foi o rastro, o apoio, o coadjuvante sem grandes atuações.
10 Outubro, 2008 at 5:47 pm
e deixar de viver a própria vida pra viver sob a de alguém não é um prejuízo? essa opção implica em muita renúncia, e pra o bem de outro.
eu acho que não vale a pena, mas há quem ache conveniente. de suas vidas cada um faz o que quer.
no discurso é fácil falar que se fodam os outros, mas na prática é diferente.
16 Outubro, 2008 at 9:38 am
esse é o tipo de texto que temos que fazer um Ctrl C e colar no compartimento nº 5 da memória rã.
bisous.
16 Outubro, 2008 at 11:19 am
eco o o o
21 Outubro, 2008 at 1:09 pm
rafa – entre falar e fazer existe tanta diferença quanto em saber e entender (o que muitas vezes implica colocar em prática).
claudia – e se o compartimento 5 estiver cheio? o que fazemos? :p