disco riscado
24 Julho, 2008
“- você é aquilo que deseja ser. mas também aquilo que fazem de você. você é uma miscelânea.”
não, eu não tô falando de vinil nenhum, eu tô falando desse teu jeito de levar a vida, dessas desculpas que você tira do bolso e esfrega na minha cara. antes eu tava cego, me jogando na frente do ônibus se você pedisse. hoje não suporto mais suas piadinhas folgadas com os meus amigos. o problema não é o risco nessa merda. quer dizer, é , claro que é, eu demorei anos pra achar. não, não é possível, você surtou de vez, porra. como eu caio no teu papo irracional, incoerente, de mulherzinha histérica e manhosa? como esse disco já estava assim se eu ouvi milhares de vezes. e com você deitada no meu peito, porra! a gente trepava ouvindo esse som, você fazia questão de gemer junto com os gritinhos da vocalista. pera aí, aquilo era de verdade ou você tava tirando uma com a minha cara?
você insiste que o disco já veio fodido da loja e nenhum dos dois percebeu.
a real é que sempre foi assim, eu que nunca percebi. até agora.
(divagação inspirada no texto “incompleto”, da aliceloide)
Mariluce
23 Julho, 2008
quando foi que nosso rosto começou a cair?
você consegue dizer o exato dia que Laura acordou loira?
e esse namorado dela, há quanto tempo eles tão junto?
ela já foi menor que minha perna,
puxava meu vestido enquanto eu cozinhava.
agora pede indicação das depiladora.
eu acho que ela quer tirar os pêlos do cu.
mas quando foi que ela depilou a virilha?
porque a minha cara e a tua tão entregando nossa vida?
como meu choro diário se transformou nesse olho caído,
nessa vontade que eu tenho de deixar Luiz e Laura.
tu termina de cuidar, já fiz muito até aqui.
porque ainda usamo o mesmo modelo de tênis como nossa aliança?
não sou mais aquela “loirinha gostosa do meu coração, rebola pra mim, rebola”.
tu sabe disso, não sabe?
quando foi que a vontade, de me carregar até a cama, deixou de existir?
não, eu não consigo lembrar.
nem entender.
memórias
17 Julho, 2008
“Vida cheia de pontos e vírgulas e todo tipo de pausas dramáticas de quem sempre sabe que não sabe de nada…”
dos modernos sentimentos e das sensações sutis, compartilho contigo as vírgulas, alguns pontos e por vezes a falta de pausa.
(trecho do post 2,5/4,5, de dandydap)
words and thoughts in rgb
16 Julho, 2008
11h56 e meia década
8 Julho, 2008
é o barco rasgando o mar, é o motor.
toda essa imensidão traz consigo uma paz, uma sensação de equilíbrio.
eu faço parte dessa imensidão, fazemos parte.
toda essa paz traz consigo a saudades. daqueles que já não estão esperando minha chegada, daqueles que ainda estão de braços abertos.
não tivemos tempo de dizer adeus e ainda assim você tentou me dizer que a vida era talvez alguma coisa melhor, melhor do que eu sabia. era essa imensidão que você me ensinou, era e é esse equilíbrio que te levava a voltar para o mar, sempre.
e no fim você voltou. no fim você virou mais inteiro do que parte, no fim o equilíbrio é o seu corpo. você se foi, mas ainda sinto sua presença quando o mar assopra essa imensidão.
a saudades me rasgou sem aviso.
