whatever betides me
30 Maio, 2008
Karina
30 Maio, 2008
só você pode ter essa unha vermelha com esmalte gasto.
mas a barriguinha de fora, logo de manhã, é provocar demais.
your loving on a slow burner
30 Maio, 2008
resignação
24 Maio, 2008
um dia você vira o assunto chato,
uma suposta atividade difícil de persistir.
só não espere uma carta avisando isso.
velha margem
21 Maio, 2008
Bento
21 Maio, 2008
- o olho roxo é do meu pai e o braço quebrado é da minha mãe.
Pedro
21 Maio, 2008
você não ligou, não contou da reunião chata de toda quinta-feira, não reclamou do almoço sem gosto, não pediu que eu deitasse no teu peito. você disse “se um dia acabar, será no mesmo local onde tudo começou.”
nosso último encontro foi antes da linha amarela.
o adeus kitsch
21 Maio, 2008
tudo aconteceu em 8 dias.
não há tempo para velar sua morte
e por isso sinto esse gosto na garganta.
por hora vou comprar dois croissants e uma abelha.
defasagem
20 Maio, 2008
vai ser mãe, vai ser esposa,
vai fazer dinheiro, vai ter vida boa.
eu disse, vida não rima.
vai ser grande, vai ser fraco,
vai fazer errado, vai começar tudo outra vez.
eu disse vai. e não volta.
algum parque
16 Maio, 2008
“Só o acaso pode nos parecer uma mensagem. Aquilo que acontece por necessidade, aquilo que é esperado e se repete cotidianamente é coisa muda apenas. Somente o acaso tem voz. (…) O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não.” (Milan Kundera, A insustentável leveza do ser.)
- você não me ligou mais.
- mas podia?
- fiquei esperando.
- posso então?
- ligar?
- é. não só isso, você sabe…
- tem meu telefone?
- acho que sim.
- se tiver, qualquer dia desses, já sabe.
- não quer me dar o número de novo, assim será certeza.
- foi exatamente isso que você disse da última vez.

