antídoto, veneno / quem sabe o real efeito?
partido, quebrado / cada osso na parede
azedo, amargo / gosto de língua cortada
ardido, ácido / é a ferida que não sara
veja o terror nos olhos de uma criança no escuro
quando o monstro mora dentro do quarto
qualquer brinquedo é uma armadilha
cego, surdo / fantoche de si mesmo
descanso inútil / remoto controle remoto
medo agudo / fantasma atrás da porta
cansaço profundo / é a cabeça que não pára
o desespero é um labirinto de espelhos quebrados
pra onde vão, de onde vem tantos eus?
e quem é você pra vir falar de mim!
segredo trancado a cadeado de vidro
estar no olho do furacão vendo o mundo girar
medo estampado nas páginas de um livro
que eu rasgo, queimo, espero cicatrizar
estou invadida por uma vontade de simplesmente ficar em silêncio.
e quem cala, consente com a dor e a delícia de ser exatamente aquilo que não se quer ser.
já dizia o ditado popular “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. mas o acaso atua sem licença poética e quando a vida acontece na sua frente, dói. simplesmente dói pra caralho ter um par de olhos.